quinta-feira, 27 de junho de 2013

Não sou obrigada!

Como me ensinou a ruiva - na época em que as espirais pendiam em seus ombros - que segurou na minha mão e destampou meus ouvidos para que eu não precisasse mais viver de berros, quero socar a cara desses garotos cristãos por terem me dito que eu era uma garota feia que brincava de uma maneira legal. Agora eu me pergunto se era uma coisa preciosa para podê-la deixar sangrar.
Nem sempre acreditei em capacidades, na verdade, nunca fui de acreditar em capacidades. Fora do costume. Mas e agora, compensaria seguir o costume? Deixar-me levar pelo de sempre, que nem sempre me agradou?
O que compensa é limpar o sangue e não permitir me molhar mais. Afinal, quem gosta de se banhar em sangue? Não quero viver eternamente, não quero preservar meu rosto de 15 anos para sempre. Eu só quero me limpar. Banhar-me em cachoeiras de água selvagem apenas para garantir que a sujeira do tempo seja eliminada.
Porque eu não sou obrigada a continuar a caminhar sobre a sombra se eu quiser sentir o Sol queimar minha pele.

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