Tem dias que acordo assim, fechada como uma concha. É como se eu tivesse despertado para sentir minhas mãos esfriarem, esperar um ônibus que nunca passa e observar a chuva ácida corroer aquela escultura histórica. O cortejo passa e eu olho para o lado; não estou aqui, então tanto faz. Mas ao mesmo tempo, sei que estou diminuindo. Diminuindo. E então, o dia começa a falar comigo, discutir comigo, e ele sempre ganha. Todo mundo ganha. Não sei me defender: me abro às crueldades do mundo. Não cumprimento o mendigo, não abraço o cachorro, não me arrumo como se cada instante tivesse o potencial de ser o mais marcante, saio antes de receber o troco e desejo que cada rosto bonito, alegre e que se diverte com outros rostos bonitos e alegres sinta o amargo sabor da derrota. Minha expressão facial não muda, me define. O Sol não nasce para mim.
Tem dias que eu não acordo.
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