sexta-feira, 31 de maio de 2013

Imagens no tempo dos porquês


Ainda fico impressionada com essas imagens. Não deveria, mas ainda fico. Porque é um vai e vem que te pega de surpresa.
Eu acreditava que, finalmente, conseguiria expor minha imagem ao tempo, mas agora estou furiosa. Não consegui, é fato. Às vezes me pergunto se é culpa minha, mas nunca entendo a resposta. Porque eu nunca entendo nada. Porque eu nunca soube interpretar uma explicação de um professor sobre como fazer um trabalho. Porque eu precisei de três anos para compreender uma estrutura química. Porque eu nunca soube como me aproximar de alguém para fazer amizade. Porque eu nunca soube me defender. Porquê eu não sei fazer um convite. Porque eu nunca consegui agradar a um gato. Porque eu não consigo prolongar minhas relações. Porque eu nunca consegui ter uma experiência renovadora. Porque eu não sei quais são as vantagens de ser invisível.
Meus anos de carvão já passaram, limpei uma boa parte da sujeira. Então que imagem é essa?

Enquanto eu andava pela rua, não buscava apenas brechós. Procurava minha imagem. Sabe aquelas fotos em que todos estão sorrindo, e que alguém pediu para tirar, e que algum desconhecido conhecido fotografava?

São imagens da vida atual. Do lado frívolo da observação. E infelizmente, funciona.
Malditas imagens! Que sejam queimadas! Bolhas formarão no plano de fundo. O que não se misturar com o ar vai para a sola do sapato.
Porque eu sou ruim. Porque eu sou invejosa. Porque eu sou recalcada. Porque eu nunca entendo nada. Porque eu precisei de três anos para compreender uma estrutura química. Porque eu nunca soube como me aproximar de alguém para fazer amizade. Porque eu nunca consegui agradar a um gato. Porque eu não ser agradável.

Mas em algo eu sou ótima: ser ingrata parece um dom. Porque eu sempre procurei o que nunca consegui. Porque eu nunca agradeci aos vestígios de imagens. Porque o tempo não passa. Porque as coisas acontecem mas o tempo não passa. Porque as coisas se vão e o droga do tempo não passa.

Imagens, são sempre imagens. Faço minhas imagens e me esqueço de comprar fósforos.

Amanhã andarei pela rua novamente, mas para ir atrás do meu Jackie Ohh oval que meus pais me negaram e não terei dinheiro para pagar o crediário. Procurarei minha imagem com tons escuros.

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